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domingo, 17 de abril de 2022

Buscando a Jesus, desesperadamente!

Hoje, pretendo olhar para a ressurreição através dos olhos de um grupo de mulheres. Eram mulheres da Galiléia. Familiarizadas com Jesus. Discípulas de Jesus. 

Elas aparecem demonstrando amor, cuidado, afeto e confiança no Senhor em várias situações da vida e do ministério de Jesus. Realmente, elas são um grupo especial, e pra nós, hoje elas serão a janela através da qual olharemos para a ressurreição. 




Vamos ler os dez primeiros versículos do capítulo 28 de Mateus.

TEXTO BÍBLICO:

1. Passado o sábado, no começo do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o túmulo. 2. E eis que houve um grande terremoto; porque um anjo do Senhor desceu do céu e, aproximando-se, removeu a pedra e sentou sobre ela. 3. O aspecto dele era como um relâmpago, e a sua roupa era branca como a neve. 4. E os guardas, com medo do anjo, tremeram e ficaram como se estivessem mortos. 5. Mas o anjo, dirigindo-se às mulheres, disse: — Não tenham medo! Sei que vocês procuram Jesus, que foi crucificado. 6. Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito. Venham ver onde ele jazia. 7. Agora vão depressa e digam aos seus discípulos que ele ressuscitou dos mortos e vai adiante de vocês para a Galileia; lá vocês o verão. É como acabei de dizer a vocês. 8. E, retirando-se elas apressadamente do sepulcro, tomadas de medo e grande alegria, correram para anunciar isso aos discípulos. 9. E eis que Jesus veio ao encontro delas e disse:   — Salve! E elas, aproximando-se, abraçaram os pés dele e o adoraram. 10. Então Jesus lhes disse:   — Não tenham medo! Vão dizer aos meus irmãos que se dirijam à Galileia e lá eles me verão.

— (Mateus 28. 1-10, NAA)

Vamos ler mais uma vez somente a parte b do versículo 5:

“(…) Não tenham medo! Sei que vocês procuram Jesus, que foi crucificado.”

INTRODUÇÃO

O título que pensei em dar a essa mensagem de é “Buscando a Jesus, desesperadamente!” A primeira pergunta que fiz a mim, e agora faço a você  é: Quão bem isso te descreve neste dia? Alguma vez você já se sentiu desesperado em buscar Jesus?

Antes de prosseguirmos, permita-me definir o que é estar desesperado por Jesus. Modestamente, em minha opinião, estar desesperado por Jesus significa procurá-lo de todo o coração. 

Uma vez, Deus disse em Jeremias 29.13: 

Vocês me buscarão e me acharão quando me buscarem de todo o coração.”

— (Jeremias 29.13)

Repare no que o anjo disse as mulheres do texto que acabamos de ler: “Sei que vocês procuram Jesus!” Vamos aprofundar este enunciado!

Sei que vocês procuram Jesus!

Perceba uma coisa: Jesus já havia sido morto naquela cruz! E estas mulheres sabiam disso porque foram testemunhas oculares da Sua morte. Elas viram quando o Salvador deu seu último expiro! Mesmo quando todos os outros discípulos – homens supostamente de força e coragem – fugiram de medo, estas mulheres permaneceram diante dEle e seguiram com Ele até ao seu sepultamento. Constatamos isso quando lemos o versículo 61 do capítulo 27. Este texto indica que Maria Madalena e a outra Maria estavam sentadas em frente ao túmulo quando Jesus estava sendo colocado lá. Ali, elas ficaram até o entardecer.

Agora, no versículo 1 do capítulo 28, ja é domingo e vemos quando elas chegam para visitar o túmulo. Mateus deixa bem claro que isso era tudo o que elas tinham em mente; elas só queriam visitar o túmulo onde seu amigo Jesus estava sepultado. Até aqui, nenhum pensamento de ressurreição foi indicado. Na verdade, a ressurreição nem era assunto cogitado por elas. Pois, quando elas vieram visitar o túmulo, vieram apenas com a finalidade de trazer “especiarias para ungir o corpo do seu amigo Jesus.” (cf. Mc 16.1). O registro de Marcos indica também que elas nem sabiam se conseguiriam  encontrar algum homem forte para ajudar na remoção da pedra que trancava o túmulo, para que, feito isso, elas pudessem entrar no sepulcro e realizar a unção no cadáver de Jesus. (cf. Mc 16.3). Em outras palavras, elas foram até a tumba sabendo que eram incapazes de remover a pedra, entretanto, crendo de coração que pudessem encontrar alguém forte que pudesse ajudar. 

Tal atitude, indica que essas mulheres realmente gostavam de Jesus. Elas simpatizavam com Ele. Jesus havia sido um amigo doce e gentil para elas. E mais do que isso: Ele foi um mestre que as ensinava sobre Deus, sobre a verdade de Deus e sobre o reino de Deus. Além disso, Ele perdoou os pecados delas também. Elas sabiam que as palavras de perdão não eram vazias. Elas realmente foram libertas. Por isso, elas foram até o sepulcro para retribuir o amor, cuidado e carinho que Jesus manifestou a elas. Assim, elas vieram até Jesus, motivadas de compaixão e gratidão para ungir o Corpo sofrido do Mestre, através de um último ato de amor e adoração.

Me permita fazer um comentário adicional: Paulo, ao escrever aos coríntios em 1 Co 13: 13 disse que fé, esperança e amor caminham juntos, porém “…o maior deles é o amor.” Mesmo que a fé e a esperança dessas mulheres não estivesse em um dia, realmente, o amor que elas sentiam por Jesus ainda prevalecia! Realmente, o amor é forte!

Dado a introdução, vamos nos ater um pouco mais sobre este texto para aplicá-lo em nossa vida. Gostaria de pontuar três aspectos, sobre o desespero de buscar à Jesus, na vida dessas mulheres.

Primeiro aspecto: Buscar desesperadamente Jesus significa colocar Cristo em primeiro lugar. Segundo aspecto: Buscar desesperadamente Jesus significa não deixar nada atrapalhar nosso caminho em direção a Ele. E terceiro aspecto: buscar desesperadamente Jesus significa obedecer alegremente aos mandamentos de Deus.

DESENVOLVIMENTO

I. Buscar desesperadamente Jesus significa colocar Cristo em primeiro lugar (v. 1)

Logo no primeiro versículo, nosso texto diz: “quando começou a amanhecer”, isto é, antes do sol nascer, elas saíram de suas casas. Eles saíram enquanto ainda estava escuro para chegar ao túmulo à primeira luz do dia. 

Repare que essas mulheres vieram em busca de Jesus no primeiro momento possível que puderam. Se o dia anterior não fosse sábado judaico, com certeza, elas teriam ido pra lá. Assim que puderam, no domingo de manhã, partiram para o túmulo. Em outras palavras, essas mulheres colocam Jesus em primeiro lugar. Elas o colocam em primeiro lugar em seus pensamentos, primeiro em seus corações, primeiro em suas ações. 

Onde estavam os discípulos naquela manhã de domingo cedo? Em casa? Escondidos? Deprimidos na cama? Não sabemos! Mas sabemos que essas mulheres estavam em busca de Jesus. Para elas, nada poderia ser mais urgente, mais importante, mais precioso do que buscar Jesus. 

APLICAÇÃO: Todos os dias, quando você se levanta de manhã, a primeira coisa que você deve fazer é buscar a Cristo. Mas talvez você tenha deixado algo ficar no meio do caminho. Por isso, em segundo lugar, buscar desesperadamente Jesus significa não deixar nada ficar no seu caminho. 

II. Buscar desesperadamente Jesus significa não deixar nada ficar no seu caminho (vs. 2-6)

Muitas vezes, não buscamos Jesus como deveríamos porque nos deparamos com obstáculos. Quais são os seus? Creio que todos nós temos alguns. Talvez seja um dia corrido, agenda cheia, ou algum fardo, algum pecado, alguma dificuldade que esteja enfrentando. Quaisquer que sejam os obstáculos, quando se trata de buscar a Cristo, não devemos deixar que nada fique em nosso caminho.

As mulheres que vieram ao túmulo de Jesus naquela primeira manhã de Páscoa tiveram que enfrentar alguns obstáculos. 

Em primeiro lugar, havia muitos visitantes na cidade. Gente de todo tipo. Vieram para a principal festa judaica. Ladrões e salteadores se aproveitavam dessa situação. Vale lembrar que o próprio Barrabás estava a solta. Entretanto, este perigo não foi empecilho para elas. Elas enfrentaram qualquer medo e atravessaram o caminho, em busca de Jesus.

Em segundo lugar, a perseguição aos cristãos estava no auge. Não era nada seguro para um seguidor de Jesus Nazareno andar pelas ruas da cidade. 

Em terceiro lugar, haviam os guardas. Os líderes judeus obtiveram permissão de Pilatos para colocar os guardas no túmulo. Para o caso dos discípulos intentarem roubar o cadáver e fingir que Jesus havia ressuscitado dos mortos. 

Então, em quarto lugar, havia a própria pedra. O túmulo de Jesus ficava dentro de uma rocha, e a entrada estava fechada com uma grande pedra. Como vimos anteriormente, essas pedras eram muito pesadas. Para removê-las era necessário um número de homens bons e fortes para rolar a pedra e descobrir a entrada.

Então, essas mulheres enfrentaram grandes obstáculos para irem em direção à Jesus naquela primeira manhã de Páscoa. Porém, elas não deixaram que nenhum desses obstáculos as impedissem de seu objetivo. Eles estavam procurando desesperadamente Jesus, e quando se está procurando desesperadamente Jesus, nada pode ficar no seu caminho.

Repare que quando alguém se concentra em buscar à Jesus, em vez de se concentrar na dificuldade de enfrentar os obstáculos em seu caminho, Deus tem uma maneira maravilhosa de remover os obstáculos para você. 

Vamos olhar para os versículos 2-4: 

“2. E eis que houve um grande terremoto; porque um anjo do Senhor desceu do céu e, aproximando-se, removeu a pedra e sentou sobre ela. 3. O aspecto dele era como um relâmpago, e a sua roupa era branca como a neve. 4. E os guardas, com medo do anjo, tremeram e ficaram como se estivessem mortos”.

— Mateus 28. 2-4

Bastou um anjo de Deus e todos os obstáculos foram removidos. E não era qualquer anjo! Mateus nos diz que “sua aparência era como um relâmpago”. Isso significa que havia uma luz ofuscante brilhando do seu rosto e corpo. Mateus também diz: “que as roupas do anjo eram tão brancas quanto a neve.” 

ILUSTRAÇÃO: Em 2009 estive na Rússia. Um dia, muita neve caiu do céu e cobriu todo o chão. Era meu primeiro contato com a neve. Foi lindo. Ao meio-dia, porém, o sol brilhante surgiu dentre as nuvens e refletiu fortemente na superfície da neve, quase que cegando meus olhos. Foi uma experiência inesquecível. 

Do mesmo modo, acredito que esta era a aparência deste anjo bíblico: ofuscante e deslumbrante. Ele foi enviado diretamente por Deus no céu, e veio queimando com a majestosa glória dAquele cuja presença ele havia vindo. 

As Escrituras dizem que essa experiência foi visão aterrorizante. Mateus nos diz que a aparição angelical veio acompanhada por um violento terremoto. Mas não foi sobre um terremoto natural. Não era sobre as placas tectônicas se deslocarem sob a crosta da terra ou sobre pressões subterrâneas serem liberadas para a superfície. Mateus diz que o terremoto foi causado especificamente pelo anjo descendo do céu. A vinda deste anjo marcou uma intrusão no mundo físico pelo mundo espiritual. 

Encontramos em Mateus 27. 51-54, assim que Jesus expirou, no episódio da Crucificação de Jesus, algo parecido. 

Agora, no episódio da Ressurreição, um anjo brilhante e aterrorizante desce do céu. Há um terremoto violento. Tudo está tremendo. Um anjo sozinho rola aquela pedra pesada para fora do caminho e se senta sobre ela. Para nós, seguidores de Jesus e leitores da Escritura, esse texto apresenta uma visão muito bem-humorada. O anjo desobstrui o obstáculo e que ainda se senta sobre ele.  

Porém, Mateus nos diz que os guardas não acharam essa cena nada engraçado: Eles “ficaram com tanto medo dele que caíram desmaiados, como se estivessem mortos.” (v.4)

Se todos eles desmaiaram ou estavam apenas se fazendo de mortos, quem sabe? Mas deve ter sido uma visão e tanto, todos esses guardas espalhados como cadáveres sem vida no chão. 

Há uma ironia aqui no versículo quatro que eu gostaria que você visse comigo:

Primeiro, o chão tremeu com o terremoto. Então, os guardas tremeram de medo. Depois Jesus ressuscitou dos mortos. Então os guardas se tornaram como homens mortos. Por isso, acredito e defendo que há um senso de humor divino neste relato de Mateus. 

Prosseguindo, no versículo 5, este anjo fala às mulheres: “Não tenham medo! Sei que vocês procuram Jesus, que foi crucificado”. (v.5)

Você percebe que o anjo nem se dirigiu aos guardas. Ele simplesmente os deixou caírem no chão. Mas, às mulheres, o anjo diz: “Não tenham medo!”. De forma muito tranquila, ele diz: “eu sei que vocês procuram por Jesus.” 

A palavra traduzida como “procuram” é sinônimo da palavra “buscar“. Assim, essas mulheres não precisavam temer, porque vieram em busca de Jesus. 

APLICAÇÃO: Você está em busca de Jesus? Então, você não precisa sentir medo. Hebreus 1.14 diz: “Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação?” Neste sentido, se você está procurando Jesus, então Deus está do seu lado, e os anjos de Deus também estão do seu lado.

Agora, repare que o anjo identifica Jesus como alguém que foi crucificado – “Vocês estão procurando Jesus que foi crucificado”.

Perceba mais uma vez que essas mulheres não vieram à procura do Jesus ressuscitado. Eles ainda estavam procurando o Jesus crucificado. Elas ainda não entendiam tudo o que precisavam saber sobre Jesus, entretanto, continuavam procurando por ele. Tal como as mulheres, você também pode ainda não entender tudo sobre Jesus como gostaria de saber. Tudo bem! Continue seu caminho procurando por ele! Pois, para essas mulheres que buscavam Jesus, o anjo traz a notícia: “Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito. Venham ver onde ele jazia.” (Mateus 28: 6)

Quando lemos “Ele ressuscitou, como tinha dito!” Podemos perceber uma pitada de repreensão gentil nessas palavras ou, no mínimo, um lembrete. Jesus disse repetidamente a seus seguidores que morreria e ressuscitaria no terceiro dia. Mas tudo indica que seus discípulos não se lembravam das palavras de Jesus.

Mas neste momento não importa mais. O anjo anuncia graciosamente uma palavra às mulheres. “Jesus ressuscitou dos mortos. Venha e veja o lugar onde ele estava.” (vs. 6). As mulheres olham e veem que o corpo de Jesus não está mais lá. Elas vieram em busca de Jesus no túmulo, mas o túmulo está vazio. Cristo realmente ressuscitou!

Teria sido fácil para essas mulheres ficarem em casa naquela manhã. Olhe para todos os obstáculos que elas tiveram que enfrentar. Elas poderiam ter argumentado: “— De que adianta ir lá? Como passaremos pelos ladrões? Depois, pelos guardas? E a pedra? Quem removerá a pedra para nós?” Mas os obstáculos não as dissuadiram. Eles estavam desesperadas para chegar a Cristo e não deixaram nada ficar em seu caminho. Sim, teria sido fácil ficar em casa, se tivessem ficado, porém, veja o que elas teriam perdido!

Quais obstáculos estão no seu caminho para buscar a Cristo? É falta de fé? Então peça a Deus que lhe dê a fé que você precisa. É algum pecado na sua vida? Jesus morreu para perdoar seus pecados. Não deixe que o pecado fique no seu caminho de buscar Jesus. É orgulho? A Bíblia diz: “Humilhem-se diante do Senhor, e ele os exaltará.” (Tiago 4:10) Você está carregando algum fardo pesado? A Bíblia diz: “Lancem sobre ele todas as suas ansiedades, porque ele cuida de vocês.” (1 Pedro 5:7). Confie em Deus para rolar a pedra.

Assim, buscar desesperadamente Jesus significa colocar Cristo em primeiro lugar na sua vida e não deixar nada atrapalhar sua busca até Ele. E então, finalmente, buscar desesperadamente Jesus significa obedecer alegremente aos seus mandamentos.

III. Buscar desesperadamente Jesus significa obedecer alegremente aos seus mandamentos (vs. 7-10)

Agora, vamos prosseguir olhando para os versículos sete a dez. O anjo continua a se dirigir às mulheres: 

vão depressa e digam aos seus discípulos que ele ressuscitou dos mortos e vai adiante de vocês para a Galileia; lá vocês o verão. É como acabei de dizer a vocês!”

— (Mateus 28.7) 

O anjo diz a elas para correrem até os discípulos e anunciarem que Jesus está vivo e que estará esperando encontrar eles lá na Galiléia. Mais uma vez, o anjo instrui as mulheres a lembrar os discípulos das palavras que Jesus havia dito (Mateus 26. 31-32). O anjo termina dizendo: “É como acabei de dizer a vocês”. O anjo cumpriu seu dever. Ele testemunhou a ressurreição de Jesus Cristo. Agora as mulheres também tinha o dever de testemunharem sobre o ocorrido. Elas foram comissionadas por Deus, através do anjo, de irem e contarem aos discípulos, rapidamente e sem demora. 

APLICAÇÃO: A mesma comissão se aplica a nós hoje. Cada pessoa que recebe as boas novas da Ressurreição de Jesus tem a obrigação de transmiti-las aos outros. É como se, ao compartilhar o Evangelho com outra pessoa, pudéssemos dizer como o anjo: “É como eu te disse. Vá! Agora é a sua vez.” (vs. 7).

E o que as mulheres fizeram? Olhe para o versículo 8: 

“retirando-se elas apressadamente do sepulcro, tomadas de medo e grande alegria, correram para anunciar isso aos discípulos.” 

— (Mateus 28.8)

O anjo disse a elas para irem depressa e as mulheres obedeceram com alegria. Elas se apressaram e correram para contar aos discípulos. Elas estavam com medo, e mesmo assim, estavam cheias de grande alegria.

Mateus fala algo muito interessante neste momento da narrativa que é difícil de entender na maioria das traduções para o português. Ele escreve que elas “se retiraram apressadamente do túmulo”. 

A palavra grega para sepulcro (mnémeion = μνημεῖον) que Mateus usa aqui no versículo 8 significa “monumento, memorial”. Ou seja, a palavra grega que ele usa aqui não é a mesma palavra que ele usa no versículo 1 (taphos = τάφον) para túmulo (local de sepultamento). 

Por que a diferença? As mulheres vieram procurar o lugar onde Jesus foi enterrado. Mas ele não estava enterrado lá! Ele ressuscitou dos mortos. E assim, o túmulo de Jesus não era mais um túmulo, mas era simplesmente um memorial! Apenas um lembrete do lugar onde o corpo de Jesus foi enterrado na noite de Sexta-feira Santa até a manhã de Páscoa. Agora, o túmulo estava vazio e se tornou um memorial! 

As mulheres deveriam correr para espalhar essa notícia.  Enquanto elas correm em obediência alegre para divulgar as boas novas, o próprio Jesus aparece no caminho, e as encontra. 

Vamos olhar para o versículo 9: 

“…Jesus veio ao encontro delas e disse: — Salve! E elas, aproximando-se, abraçaram os pés dele e o adoraram.” 

— (Mateus 28.9)

Elas vieram em busca de Jesus e, finalmente, o encontraram. O Senhor a quem elas amavam, a quem haviam servido durante seu ministério terreno, a quem tinham visto crucificado, morto e enterrado, agora está diante deles, e elas caem a seus pés em adoração amorosa.

Minha gente, se já é incrível o suficiente ter um anjo falando com você, imagina agora, ter o próprio Jesus Cristo, ressuscitado, em seu encontro, falando diretamente à você! 

Vejamos Jesus se dirigindo a elas no versículo 10. 

Então Jesus lhes disse: — Não tenham medo! Vão dizer aos meus irmãos que se dirijam à Galileia e lá eles me verão. 

— (Mateus 28.10)

Jesus fala as mesmas palavras que o anjo, exceto por uma pequena diferença. Observe que Jesus se dirige aos discípulos como “meus irmãos“. 

Que alegria ter esse tipo de parentesco com nosso Senhor Jesus Cristo! Hebreus 2.11 nos diz que “Jesus não se envergonha de nos chamar de seus irmãos e irmãs.” Mais uma vez, estas são maravilhosas palavras de graça vindas diretamente da boca de Jesus. 

Enquanto isso, aqueles discípulos que eram competitivos, molengas no caminhar, com dificuldades para crer, abandonaram a Cristo e agora se amontoavam no esconderijo com medo da represália dos religiosos judeus. 

Embora tivessem essas falhas no caráter, e a despeito de não estarem em busca de Jesus como essas mulheres estavam, ainda assim Jesus ainda os chama de “meus irmãos”. Que Salvador maravilhoso é esse Jesus, nosso Senhor!

CONCLUSÃO: 

As mulheres que vieram em busca de Jesus na primeira manhã de Páscoa se tornaram as primeiras testemunhas da ressurreição de Cristo. Que experiência maravilhosa! Que privilégio maravilhoso! Mas isso nunca teria acontecido se elas não estivessem procurando desesperadamente Jesus.

O que significa procurar desesperadamente Jesus? Acredito que significa estas três coisas:

1) Buscar desesperadamente Jesus significa colocar Jesus em primeiro lugar. 2) Significa não deixar nada atrapalhar  seu caminho até ele. 3) Significa obedecer alegremente aos mandamentos de Deus.

Essas mulheres colocaram Jesus em primeiro lugar. Elas vieram procurá-lo logo no domingo de manhã após o sábado judaico. Elas não deixaram nada atrapalhar seu caminho até Jesus. Elas ignoraram os obstáculos dos ladrões, guardas e da pedra pesada. Elas obedeceram alegremente aos mandamentos de Deus. Elas correram para contar as boas novas aos discípulos e encontraram Jesus no caminho. Elas estavam procurando Jesus e O encontraram. Elas vieram olhar para um túmulo e contemplaram um memorial. Elas vieram com lágrimas e tristeza, e saíram alegres, tremendamente felizes. Elas vieram à procura de um Jesus crucificado e voltaram como as primeiras testemunhas do Senhor Jesus vivo!

MORAL DA HISTÓRIA:

Você nunca ficará desapontado/a quando buscar a Cristo em primeiro lugar, porque quando você O buscar assim, você O encontrará, e ele é tudo o que você poderia querer e precisar.

Lembre-se, é Deus que promete: “Vocês me buscarão e me acharão quando me buscarem de todo o coração.”

Deus te abençoe!

________________________________________

Todas as citações bíblicas são da Nova Almeida Atualizada, Edição Revista e Atualizada®, 3a edição. João Ferreira de Almeida, trans., (Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017), Mt 28.1–10.

7º sermão da série “Via Dolorosa: A história da Páscoa cristã” — baseado em Mateus 28. 1-10 para a Igreja Daehan | MEP // 17.04.22. por Diego Gonçalves


domingo, 10 de abril de 2022

A cruz de Jesus, o nosso pecado e a santidade de Deus!

 

Sermão: A cruz de Jesus, o nosso pecado e a santidade de Deus!

6º sermão da série “Via Dolorosa: A história da Páscoa cristã” — baseado em Mateus 27. 45-46; 50 para a Igreja Daehan | MEP // 10.04.22. por Diego Gonçalves

TEXTO BÍBLICO:

45 A partir do meio-dia, houve trevas sobre toda a terra até as três horas da tarde. 46 Por volta de três horas da tarde, Jesus clamou em alta voz, dizendo: 

— Eli, Eli, lemá sabactani? — Isso quer dizer: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” 

50 E Jesus, clamando outra vez em alta voz, entregou o espírito. 

-MATEUS 27. 45-46; 50

RESUMO:

Cristo morreu pelos nossos pecados. Jesus Cristo, o Filho eterno de Deus, tomou sobre si uma natureza humana e teve uma morte terrível em nosso lugar, sofrendo o que deveríamos ter sofrido, para pagar a pena pelos nossos pecados. Essa é a razão da cruz. 

CONTEXTO:

Após ser julgado no sinédrio pelos principais judeus (26. 57-68), Jesus é condenado por Pilatos no pretório romano (27. 11-26)! Antes de ir para o Gólgota, local conhecido como Lugar da Caveira (27.33), Jesus foi açoitado pelos soldados romanos de uma forma muito cruel (27.27-31). Não sabemos para onde os discípulos fugiram, exceto João que permanece junto as mulheres que seguiam Jesus Maria Madalena,  Maria mãe de Tiago e José, e Salomé esposa de Zebedeu e mãe de Tiago e João. 

INTRODUÇÃO:

A morte de Jesus Cristo foi o acontecimento mais marcante de toda a história. Séculos antes de ocorrer, ela foi predita em detalhes incríveis por vários profetas do Antigo Testamento. As Escrituras nos dizem que, durante a crucificação, o brilhante sol do meio-dia foi totalmente obscurecido até as 15 horas, mergulhando toda a terra na escuridão. 

No momento da sua morte, a cortina do templo judaico, que tinha 10 centímetros de espessura, que separava o Santo dos Santos, foi rasgada de cima a baixo por uma mão invisível. Um terremoto dividiu pedras e abriu tumbas próximas. Os santos mortos foram ressuscitados e saíram dos sepulcros, aparecendo mais tarde para o povo em Jerusalém. Três dias após sua morte Jesus ressuscitou e, durante um período de 40 dias, apareceu aos seus discípulos em várias ocasiões — em uma delas, para quinhentos de uma só vez. 

POR QUE A CRUZ?

Hoje, cerca de dois mil anos depois, a cruz é o símbolo universalmente conhecido da fé cristã. Elas estão estampadas em peças de roupas, adesivos de carro e até em peças de joalherias. Porém, na maioria dos casos, esses objetos são usados apenas pela beleza, por pessoas que não têm a mínima ideia do seu significado. Na época da morte de Cristo, no entanto, a cruz era um instrumento de incrível horror e vergonha. Era a punição mais miserável e degradante, dada apenas a escravos e pessoas de menor importância.

Se é assim, como foi possível que o Filho eterno de Deus, por quem e para quem foram criadas todas as coisas (cf. Cl 1.15-16), acabasse, em sua natureza humana, morrendo uma das mortes mais cruéis e humilhantes já inventadas pelo homem? Sabemos que a morte de Jesus na cruz não o pegou de surpresa, tanto que ele a predisse continuamente a seus discípulos (veja Lucas 18.31-33 para um exemplo). E, com sua crucificação iminente diante de si, Jesus mesmo disse: “Que direi eu? Pai, me salva desta hora? Não, pois foi precisamente com este propósito que eu vim para esta hora” (João 12.27). Jesus disse que veio para morrer. 

Mas por quê? Por que Jesus veio para morrer? Os apóstolos Paulo e Pedro nos dão a resposta em termos claros e concisos. Paulo escreveu: “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras”; e Pedro apontou: “Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus” (1 Coríntios 15.3; 1 Pedro 3.18). 

Cristo morreu pelos nossos pecados. Jesus Cristo, o Filho eterno de Deus, tomou sobre si uma natureza humana e teve uma morte terrível em nosso lugar, sofrendo o que deveríamos ter sofrido, para pagar a pena pelos nossos pecados. Essa é a razão da cruz. 

O PECADO DE ADÃO

Nunca entenderemos a cruz se não começarmos a compreender algo da natureza e da profundidade do nosso pecado. E, para entender isso, temos de percorrer todo o caminho de volta até o Jardim do Éden. 

Ao colocar Adão e Eva no jardim, Deus impôs uma proibição simples sobre eles: não deveriam comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Não havia nada intrinsicamente mal naquela árvore. Deus poderia ter escolhido qualquer árvore do jardim. Nem a obediência era difícil. 

Muitos tipos de árvores do jardim eram agradáveis aos olhos e boas para comer. É difícil imaginar um teste mais fácil para Adão e Eva. Não comer do fruto proibido não envolvia nenhuma dificuldade, nenhum inconveniente, apenas simples obediência. No entanto, quando a Serpente questionou a bondade e a fidelidade de Deus, Eva cedeu e assim o fez Adão. E imediatamente começaram a pecar: Adão culpando Deus (“A mulher que tu me deste”); e Eva, a Serpente.

A queda de Adão deu origem não só à culpa, mas também à depravação ou corrupção moral. Agora, o homem que era totalmente receptivo à vontade de Deus, passou a se inclinar para o mal. Os teólogos se referem a essa persistente inclinação para o mal como o pecado original. Paulo a chamou de natureza pecaminosa (chamada de carne em algumas traduções da Bíblia). 

As consequências do pecado de Adão e Eva foram muito além do próprio banimento deles do jardim e da presença de Deus. Deus havia designado Adão como o cabeça ou representante legal de toda a raça humana. Consequentemente, sua queda trouxe culpa e depravação a todos os seus descendentes. Ou seja, todas as pessoas — exceto Jesus — nascem com uma natureza pecaminosa após Adão e Eva.

O NOSSO PECADO

A história segue ladeira abaixo a partir de Adão. Agravamos nossa condição com os nossos próprios pecados, uma vez que todos temos uma natureza pecaminosa corrupta. Pecamos todos os dias, consciente e inconscientemente, tanto de maneira voluntária quanto involuntária. Nós, crentes evangélicos, geralmente nos abstemos dos pecados mais grosseiros da sociedade; com efeito, tendemos a julgar aqueles que os praticam. Mas, sob a superfície de nossas próprias vidas, toleramos todos os tipos de pecados “refinados”, tais como o egoísmo, a cobiça, o orgulho, o ressentimento, a inveja, o ciúme, a justiça própria e o espírito crítico em relação aos outros. 

Além disso, raramente pensamos sobre as palavras de Jesus cujo maior mandamento é: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. […] O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22.37,39). 

Você alguma vez pensou sobre o que significa amar a Deus com todo o seu coração, alma e entendimento? Eu não acho que qualquer um de nós possa sondar plenamente a profundidade desse mandamento, mas aqui estão alguns aspectos óbvios: 

  • Seu o amor por Deus transcende todos os outros desejos (ver Êxodo 20.3);
  • Como Davi, você anseia contemplar a sua beleza e buscar comunhão com ele (ver Salmo 27.4); 
  • Você se alegra em meditar na sua Palavra e, como Jesus, você se levanta cedo para orar (ver Salmo 119.97; Marcos 1.35); 
  • Você sempre se deleita em fazer a vontade dele, independentemente de quão difícil possa ser (ver Salmo 40.8); 
  • Uma estima pela glória dele governa e motiva tudo o que você faz — seu comer e beber, seu trabalho e lazer, seu comprar e vender, sua leitura e fala — e, ouso mencionar isso, até mesmo a sua forma de dirigir (ver 1 Coríntios 10.31); 
  • Você nunca é desencorajado ou frustrado por circunstâncias adversas, porque está confiante de que Deus está trabalhando em todas as coisas para o seu bem (ver Romanos 8.28); 
  • Você reconhece a soberania de Deus em todos os acontecimentos da sua vida e, consequentemente, recebe tanto sucesso quanto fracasso da mão dele (ver 1 Samuel 2.7; Salmo 75.6-7); 
  • Você está sempre contente, porque sabe que ele nunca o deixará nem desamparará (ver Hebreus 13.5); 
  • A primeira petição na Oração do Senhor, “santificado seja o teu nome”, é a oração mais importante que você faz (ver Mateus 6.9).

Essa descrição do Grande Mandamento está obviamente incompleta, mas é suficiente para mostrar a todos nós quão lamentavelmente ineficazes somos em lhe obedecer.
Agora, veremos o que Jesus chamou de o segundo mandamento: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Entre outras coisas, isso significa: 

  • Você nutre pelo próximo o mesmo amor que tem por si mesmo; 
  • Em seu relacionamento com ele, você nunca de- monstra egoísmo, irritabilidade, mau humor ou indiferença; 
  • Você tem interesse genuíno pelo bem dele e procura promover seus interesses, sua honra e bem-estar; 
  • Você nunca se sente arrogantemente superior a ele, nem fala sobre as falhas dele; 
  • Você nunca se ressente de quaisquer erros que ele cometa contra você, mas, em vez disso, está sempre pronto a perdoar;
  • Você sempre o trata da forma como gostaria que ele o tratasse; 
  • Parafraseando 1 Coríntios 13.4-5, você é sempre paciente e bondoso, nunca é invejoso ou arrogante, nunca orgulhoso ou rude, nunca egoísta. Você não se irrita facilmente e, mesmo em sua mente, não guarda mágoas de injustiças cometidas contra você.

Você consegue compreender algumas das implicações do que significa obedecer a esses dois mandamentos? A maioria de nós sequer pensa sobre eles no decorrer de um dia, muito menos almeja lhes obedecer. Em vez disso, nos contentamos em evitar grandes pecados exteriores e em realizar os deveres cristãos de costume. E, no entanto, Jesus disse que toda a Lei e os Profetas se apoiam nesses dois mandamentos. 

Mesmo com relação aos chamados pecados graves, muitas vezes recorremos a eufemismos para atenuar a sua gravidade. Para investigarmos ainda mais a fundo, precisamos perceber que a nossa natureza pecaminosa afeta e contamina tudo o que fazemos. Nossas melhores obras estão manchadas pelo pecado. Por causa disso, nossos atos de obediência estão tão distantes da perfeição, imundos pelo pecado remanescente, que são como “trapo da imundícia” (Isaías 64.6) quando comparados à justiça que a Lei de Deus requer. 

Se limitarmos nossa atenção aos pecados isolados e negligenciarmos nossa natureza pecaminosa, jamais descobriremos quão profundamente infectados pelo pecado realmente estamos. A esta altura você pode estar pensando:

“Por que dedicar tanta atenção ao pecado? Ele só me faz sentir culpado. 

A minha razão é fazer com que todos percebamos que não temos nenhum lugar para nos esconder. Em nosso relacionamento com Deus, não podemos apelar para os nossos deveres cristãos, não importa quão úteis sejam, nem para a nossa moralidade externa, por mais exemplar que seja. Em vez disso, devemos confessar juntamente com Esdras que “nossas iniquidades se multiplicaram sobre a nossa cabeça, e a nossa culpa cresceu até aos céus.” (Esdras 9.6). 

Além disso, mesmo um senso penetrante e profundo de nossa pecaminosidade não capta a realidade da nossa difícil situação. Nossa necessidade não deve ser medida pelo nosso próprio senso de necessidade, mas por aquilo que Deus teve que fazer para atendê-la. Nossa situação era tão desesperadora que só a morte de seu próprio Filho, na vergonhosa e cruel cruz, foi suficiente para resolver o problema. 

Muitas pessoas erroneamente pensam que Deus somente pode perdoar nossos pecados porque é um Deus amoroso. Nada poderia estar mais distante da verdade. A cruz não só nos fala sobre o nosso pecado, mas também sobre a santidade de Deus.

A SANTIDADE DE DEUS

Quando refletimos sobre a santidade de Deus, significa, entre outras coisas, que ele é eternamente separado de qualquer grau de pecado. Ele próprio não peca e não é capaz de tolerar ou aceitar o pecado em suas criaturas morais. Ele não é como o conhecido avô complacente que dá uma piscada de olhos ou ignora a desobediência travessa de seu neto. 

Em vez disso, as Escrituras nos ensinam que a santidade de Deus responde ao pecado com ódio imutável e eterno. Falando claramente, Deus odeia o pecado. O salmista disse: “Os arrogantes não permanecerão à tua vista; aborreces a todos os que praticam a iniquidade” e “Deus é justo juiz, Deus que sente indignação todos os dias” (Salmo 5.5; 7.11, respectivamente). 

Assim, vemos que Deus sempre odeia o pecado e, inevitavelmente, expressa a sua ira contra ele. A cruz é, então, uma expressão da ira de Deus para com o pecado, bem como de seu amor por nós, tendo enviado seu Filho para sofrer a punição que tão justamente mereceríamos. Ela expressa a santidade de Deus em sua determinação para punir o pecado, mesmo à custa de seu Filho. 

Assim, em resposta à pergunta “Por que a cruz?”, devemos dizer que a santidade de Deus a exigiu como punição por nossos pecados, e o amor de Deus a providenciou para nos salvar deles. Não podemos começar a entender o verdadeiro significado da cruz, se não entendermos, pelo menos, o básico sobre a santidade de Deus e a profundidade do nosso pecado. 

E é a sensação contínua da imperfeição da nossa obediência que, decorrente da constante presença e poder do pecado remanescente, habita em nós e nos impulsiona cada vez mais como crentes a uma absoluta dependência da graça de Deus dada a nós por meio de seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo. 

À medida que consideramos a obra de Cristo por nós, precisamos ter em mente que o nosso pecado requereu isso. Pois, é somente contra o pano de fundo sombrio da nossa pecaminosidade que podemos ver a glória da cruz resplandecer em todo seu brilho e esplendor. E, conforme contemplamos a glória da cruz, descobriremos também que Cristo, em sua grande obra por nós, não apenas resolveu o problema do pecado, mas ainda nos garantiu as “insondáveis riquezas” do seu amor.

APLICAÇÃO: 

1. Leia Romanos 5.12-14. Como o pecado de Adão afetou você?
2. Leia Romanos 5.15-19. Como a morte de Cristo pagou pelo seu pecado? 

Deus te abençoe, 

Diego jondo

REFERÊNCIAS:

– O Comentário de Mateus, D.A. Carson

– O Evangelho para a Vida Real, Jerry Bridges


quarta-feira, 6 de abril de 2022

A esponja, o véu e a cruz! (Mateus 27.45-55)

A ESPONJA, O VÉU E A CRUZ!

Um estudo bíblico indutivo sobre Mateus 27. 45-55


TEXTO BÍBLICO: MATEUS 27. 45-55

45A partir do meio-dia, houve trevas sobre toda a terra até as três horas da tarde. 46Por volta de três horas da tarde, Jesus clamou em alta voz, dizendo: 

— Eli, Eli, lemá sabactani? — Isso quer dizer: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” 

47Alguns dos que estavam ali, ouvindo isto, diziam: 

— Ele chama por Elias. 

48E, logo, um deles correu a buscar uma esponja e, tendo-a embebido em vinagre e colocado na ponta de um caniço, deu-lhe de beber. 49Os outros, porém, diziam: 

— Espere! Vejamos se Elias vem salvá-lo. 

50E Jesus, clamando outra vez em alta voz, entregou o espírito. 

51Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes, de alto a baixo; a terra tremeu e as rochas se partiram; 52os túmulos se abriram, e muitos corpos de santos já falecidos ressuscitaram; 53e, saindo dos túmulos depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos. 54O centurião e os que com ele guardavam Jesus, vendo o terremoto e tudo o que se passava, ficaram possuídos de grande temor e disseram: 

— Verdadeiramente este era o Filho de Deus. 

– Mateus 27. 45-55

 

v. 43 – O LUGAR DA CAVEIRA:

É uma sexta-feira de manhã em Jerusalém. Um dia quente de abril. O cheiro de morte está no ar. Uma notícia se espalhou por todos os cantos da cidade. Os romanos estão planejando crucificar alguém hoje.

Uma multidão se reúne no extremo norte da cidade. Do lado de fora do Portão de Damasco há um local chamado Gólgota ou Lugar da Caveira. Os romanos gostam dali porque a colina fica ao lado de uma estrada principal. Dessa forma, muitas pessoas podem assistir à crucificação.

Este dia parece qualquer outro, mas não é. Um homem chamado Jesus está sendo crucificado. A notícia se espalha como um incêndio. Muitos vieram para ver o desfecho final. Ninguém é neutro. Alguns acreditam, muitos duvidam, alguns odeiam.

v. 45 – ATÉ O SOL SE ENVERGONHOU!

A crucificação começou às nove horas em ponto. No começo, a multidão fazia muito barulho, como se estivessem em algum tipo de evento esportivo. Eles torciam, riam, gritavam e apostavam qual dos crucificados morreria primeiro.

– Parece que o homem no meio não vai durar muito! Diziam eles. Veja! Ele tomou uma surra! Ele foi severamente espancado. Sua costa está dilacerada. Seu rosto está machucado e inchado, seus olhos quase fechados. O sangue escorre de uma dúzia de feridas abertas. É uma coisa terrível de se ver.

Essa empolgação da multidão durou das nove às onze e cinquenta e nove da manhã. Pois, ao meio-dia, “uma escuridão invadiu aquele lugar”. Aconteceu tão de repente que ninguém esperava. Num instante, como num estalar de dedos, o sol desapareceu.

Não foi um eclipse, nem foi uma passagem de nuvens densas. Foi a própria escuridão, escuridão densa e escura que caiu como uma cortina black-out sobre a terra.

O barulho que antes era alto, agora silenciou! Ninguém mais se mexia. Ninguém mais falava. Pela primeira vez, até mesmo os soldados profanos pararam de xingar. Ninguém tinha a coragem de quebrar o silêncio sombrio do Lugar da Caveira.

Será que eles se lembraram do nona praga que Deus enviou ao Egito? (Êx 10.21-23)

A nona praga diz respeito a uma escuridão tão densa que sobreveio ao Egito, e por três dias, eles não conseguiam enxergar sequer a um palmo do nariz.

Porventura, se lembraram da décima praga? A praga que deu origem a Primeira Páscoa judaica? (Êx. 12. 29-30) A praga que exigia a morte do primogênito em cuja casa não havia o Sangue do Cordeiro nos umbrais da porta! O sangue do Cordeiro derramado significou a salvação da vida para alguns e a garantia da morte para outros!

Embora o silêncio fosse estarrecedor, não sabemos o que aquela multidão pensava!

Algo estranho estava acontecendo. Três longas horas se passaram. Do 12h00 até as 14h59 tudo permaneceu escuro.

Mas às 15:00, da mesma forma repentina que a escuridão veio, ela se foi. Muita gente esfregava os olhos pra tentar enxergar melhor o que tinha acontecido. O que se via era um semblante de pânico em muitos rostos, e de confusão em outros. Imagine um homem qualquer se inclinando para a pessoa ao lado e gritando: “Em nome de Deus o que tá acontecendo aqui?”

ABANDONADO

Todos os olhos se concentram naquela cruz do meio. Jesus está à beira da morte. O que quer que tenha acontecido naquelas três horas de escuridão o levou à beira da morte. Sua força está quase acabando, a luta está quase acabando. Seu peito se levanta a cada respiração, seus gemidos agora são apenas sussurros. Instintivamente, a multidão se esforça de perto para assistir seus últimos momentos.

De repente, ele grita. “Eli, Eli, lama sabactani?” As palavras são aramaicas, a linguagem comum da época. “Meu Deus, meu Deus, por que você me desamparou?”

Tire Os Sapatos

Muitos comentaristas concordam que nenhuma declaração de Jesus é mais misteriosa do que esta. O problema não é com as palavras. Mas o que eles querem dizer?

A história é contada de que o grande Martinho Lutero estava estudando este texto um dia. Durante horas, ele se sentou e olhou para o texto. Ele não disse nada, não escreveu nada, mas ponderou silenciosamente sobre essas palavras de Jesus. De repente, ele se levantou e exclamou: “Deus abandonado por Deus. Como pode ser?”

Na verdade, como pode ser? Como Deus pode ser abandonado por Deus? Como o Pai pode abandonar seu próprio Filho?

Ler essas palavras é andar em solo sagrado. E como Moisés diante da sarça ardente, devemos tirar os sapatos e pisar com cuidado.

O Que Essas Palavras Significam?

Deixe-me dizer francamente que está muito além da minha escassa capacidade de explicar completamente esse ditado de Jesus. Meu problema não é que eu não tenha tempo suficiente; eu tenho muito tempo. E no tempo que eu tiver, vou te dizer o que sei. Mas o que eu sei é apenas uma fração da história. Há mistérios aqui que nenhum homem pode explicar.

Vamos começar examinando algumas das explicações inadequadas que foram dadas à pergunta: O que essas palavras significam? Dizer que as seguintes ideias são “inadequadas” não é dizer que elas estão necessariamente erradas. É só para dizer que eles não contam toda a história.

1. Foi sugerido que este é um grito decorrente do sofrimento físico de Jesus. Sem dúvida, esses sofrimentos foram enormes. No momento em que ele proferiu essas palavras, ele estava pendurado na cruz por seis horas – exposto ao sol quente palestino e exposto às provocações da multidão. Ele estava quase morto quando gritou: “Meu Deus, meu Deus, por que você me abandonou?” Talvez (foi sugerido) ele tenha dito isso em vista de tudo o que aconteceu com ele.

Há dois problemas com essa visão. Por um lado, a ênfase consistente do Novo Testamento é que Jesus morreu por nossos pecados. Embora os evangelhos falem do sofrimento físico de Jesus, eles não o enfatizam. A questão central da cruz não era o sofrimento físico de nosso Senhor (por mais terrível que deve ter sido); a questão central era nosso Senhor carregando os pecados do mundo. Essa sugestão tende a enfraquecer a verdade de que Jesus morreu por nossos pecados e, ao mesmo tempo, tende a enfatizar demais seus sofrimentos físicos.

2. Foi sugerido que este é um grito de fé. Um número surpreendente de comentaristas tem esse ponto de vista. Eles observam que “Meu Deus, meu Deus, por que você me abandonou?” na verdade, é uma citação do Salmo 22:1. Nesse Salmo em particular, Davi fala de seus próprios sofrimentos nas mãos de seus inimigos de uma maneira que, em última análise, retrata a morte de nosso Senhor. Embora o Salmo 22 comece com uma descrição de sofrimento intenso, ele termina com uma nota de confiança confiante em Deus. Por essa razão, alguns acreditam que Cristo citou o versículo 1 (um clamor de desolação) como uma forma de expressar sua confiança em Deus, mesmo enquanto ele estava na cruz.

Infelizmente, essa visão parece virar as palavras de Jesus de cabeça para baixo. Praticamente faz com que as palavras signifiquem algo assim: “Embora pareça que Deus me abandonou, na verdade ele não o fez, e no final serei justificado”. Por mais verdadeiro que isso possa ser (ele acabou sendo justificado na ressurreição), esse não parece ser o significado aqui. As palavras de Jesus devem ser tomadas pelo seu valor nominal – como um grito de total desolação.

3. Foi sugerido que este é um grito de desilusão. Os céticos leram isso como prova de que Jesus acabou falhando em sua missão. Para eles, essas palavras significam algo como “Deus, você me abandonou e tudo está perdido. Eu vim para ser o Messias, mas minha missão é um fracasso.” Para aqueles que têm uma visão tão cínica, só podemos dizer: Leia toda a história! Continue lendo e você descobrirá o que acontece com o seu Messias “fracassado”. O que quer que essas palavras possam significar, elas não são palavras de um homem derrotado.

O Homem Abandonado por Deus

O que, então, essas palavras significam? Sugiro que nunca entenderemos todo o seu significado até vermos que Jesus foi verdadeiramente abandonado por Deus. Naquele momento negro na cruz, Deus Pai virou as costas para Deus, o Filho. Foi, como disse Martinho Lutero, Deus abandonando Deus. É verdade que nunca sondaremos as profundezas dessa declaração, mas nada menos faz justiça às palavras de Jesus.

A palavra “desaquecido” é muito forte. Significa abandonar, desertar, renegar, se afastar, abandonar totalmente. Por favor, entenda. Quando Jesus disse: “Por que você me abandonou?” não foi simplesmente porque ele se sentiu abandonado; ele disse isso porque foi abandonado. Literalmente, verdadeiramente e realmente Deus Pai abandonou seu próprio Filho.

Em inglês, a frase “desamparado por Deus” geralmente se refere a algum local deserto e estéril. Queremos dizer que tal lugar parece impróprio para habitação humana. Mas não queremos dizer literalmente “forcado por Deus”, mesmo que seja isso que dizemos. Mas era verdade sobre Jesus. Ele foi a primeira e única pessoa abandonada por Deus em toda a história.

O Principal Dever De Um Pai

Como muitas pessoas apontaram, esta é a única vez que Jesus se dirigiu a Deus como “Meu Deus”. Em todos os outros lugares, ele o chamava de “Pai”. Mas aqui ele disse: “Meu Deus”, porque a relação Pai-Filho estava quebrada naquele momento.

Não é o principal dever de um pai cuidar de seus filhos? Não é nosso trabalho garantir que nossos filhos não sofram desnecessariamente? Não faremos nada ao nosso alcance para poupá-los da dor? E não é isso que torna o abuso infantil um crime tão hediondo?

Eu te pergunto, então, o que faria um pai abandonar seu próprio filho? Você pode explicar? Isso não é uma violação do dever principal de um pai? Eu me pergunto, o que me faria abandonar meus filhos? Ao refletir sobre a pergunta, não consigo nem imaginar a resposta.

Mas foi isso que Deus fez quando Jesus morreu na cruz. Ele abandonou seu próprio Filho. Ele virou as costas, o renegou, rejeitou Aquele que foi chamado de seu “Filho unigênito”.

Podemos não entender isso. Na verdade, é certo que não. Mas é isso que essas palavras significam.

No Tempo e na Eternidade

Isso nos leva à grande questão: por que Deus faria uma coisa dessas? Uma observação nos ajudará a encontrar uma resposta. Algo deve ter acontecido naquele dia que causou uma mudança fundamental no relacionamento do Pai com o Filho. Algo deve ter acontecido quando Jesus estava pendurado na cruz, o que nunca tinha acontecido antes.

Naquele exato momento, Jesus estava carregando o pecado do mundo. Durante essas três horas de escuridão, e nos momentos imediatamente depois, Jesus sentiu todo o peso do pecado rolar sobre seus ombros. Tudo isso se tornou dele. Aconteceu naquele momento da história do espaço-tempo.

(Alguém pode perguntar: “A Bíblia não ensina que Jesus foi o ‘cordeiro morto desde a fundação do mundo?'” A resposta é sim. Mas o assassinato em si aconteceu em um determinado momento – especificamente uma tarde de sexta-feira de abril, A. D. 33. Mas como Jesus Cristo tinha uma natureza divina, o que aconteceu com ele na história tem implicações eternas. Admito que não entendo completamente essa última frase, mas tenho certeza de que é verdade. A morte de Cristo foi um evento histórico em todos os sentidos da palavra, mas é histórica com implicações eternas.)

A Trindade Desarticulada

Vamos dar um passo adiante. Sabemos por Habacuque 1:13 que Deus não pode olhar com favor para a maldade. Seus olhos são puros demais para aprovar o mal no mundo. A frase-chave é “com favor”. A santidade de Deus exige que ele se afaste do pecado. Deus não fará parte disso. Sua santidade recua do menor tom de maldade.

Portanto (e este é um grande “portanto”), quando Deus olhou para baixo e viu seu Filho carregando o pecado do mundo, ele não viu seu Filho, ele viu o pecado que estava carregando. E naquele momento terrível, o Pai se afastou. Não com raiva de seu Filho. Não, ele amava seu Filho tanto naquele momento quanto jamais amou. Ele se afastou com raiva por todo o pecado do mundo que enviou seu Filho para a cruz. Ele se afastou com tristeza e dor mais profunda quando viu o que o pecado havia feito. Ele se afastou em completa repulsa com a feiura do pecado.

Quando ele fez isso, Jesus estava sozinho. Completamente abandonado. Esquecido por Deus. Abandonado. Deserto. Renegado.

Há uma antiga música gospel do sul chamada “Dez Mil Anjos”. Fala do fato de que Jesus, em virtude de ser o Filho de Deus, poderia ter chamado 10.000 anjos para resgatá-lo da cruz. Ele não fez isso, e o refrão termina com estas palavras: “Mas ele morreu sozinho por você e por mim”.

É verdade. Quando Jesus levou os pecados do mundo, ele os levou sozinhos. Cristo agora está abandonado, a Trindade desarticulada, a Divindade quebrada. O fato de eu não saber o que essas palavras significam não as impede de serem verdadeiras. Que seja dito uma e outra vez: Quando Jesus gritou: “Meu Deus, meu Deus, por que você me abandonou?” ele foi realmente e verdadeiramente abandonado por Deus.

Ele se tornou pecado para nós

Dizer isso é dizer nada mais do que a própria Bíblia diz:

1. II Coríntios 5:21. “Deus fez aquele (Jesus) que não tinha pecado, fosse pecado por nós, para que nele pudéssemos nos tornar a justiça de Deus.” Pense nisso. O Sem Pecado foi “feito pecado” por nós. Quando Deus olhou para baixo naquele dia, ele viu – não seu Filho sem pecado – mas o próprio pecado.

2. Gálatas 3:13. “Cristo nos redimiu da maldição da lei, tornando-se uma maldição para nós, pois está escrito: ‘Maldito todo aquele que está pendurado em uma árvore.'” Pense nisso. Quando Jesus foi batizado, a voz do céu disse: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”. A voz não diria mais isso. Na cruz, o Filho amado se tornou “uma maldição para nós”.

3. Isaías 53:6 “Todos nós, como ovelhas, nos desviamos, cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho; e o Senhor colocou sobre ele a iniqüidade de todos nós.” Pense nisso. Toda a iniqüidade, todo o mal, todo o crime e ódio deste mundo – tudo isso foi “colocado sobre ele”.

Assim, o Filho de Deus fez uma identificação completa com os pecadores. Jesus se tornou uma maldição para nós. Ele morreu em nosso lugar. E todos os nossos pecados foram colocados sobre ele. Foi por essa razão – e apenas por essa razão – que Deus Pai abandonou seu Filho amado.

Esvaziando o esgoto

Imagine que em algum lugar do universo há uma fossa contendo todos os pecados que já foram cometidos. A fossa é profunda, escura e indescritivelmente suja. Todas as más ações que homens e mulheres já fizeram estão flutuando lá. Imagine que um rio de sujeira flui constantemente para aquela fossa, reabastecendo a mistura vil com todo o mal feito todos os dias.

Agora imagine que, enquanto Jesus estava na cruz, essa fossa é esvaziada nele. Veja o fluxo de sujeira à medida que ele se instala sobre ele. O fluxo nunca parece parar. É vil, tóxico, mortal, cheio de doenças, dor e sofrimento.

Quando Deus olhou para seu Filho, ele viu a fossa do pecado esvaziada em sua cabeça. Não é à toa que ele se afastou da vista. Quem poderia suportar assistir?

Pense nisso. Toda a luxúria do mundo estava lá. Todas as promessas quebradas estavam lá. Todo o assassinato, todo o assassinato, todo o ódio entre as pessoas. Todo o roubo estava lá, todo o adultério, toda a pornografia, toda a embriaguez, toda a amargura, toda a ganância, toda a gula, todo o abuso de drogas, todo o crime, toda a maldição. Cada ação vil, todo pensamento perverso, toda imaginação vã – tudo isso foi colocado sobre Jesus quando ele estava pendurado na cruz.

Duas Grandes Implicações

Eu tiro desta verdade solene duas grandes implicações. Isso nos revela duas coisas que nunca devemos minimizar:

1. Nunca devemos minimizar o horror do pecado humano. Às vezes rimos do pecado e dizemos: “O Diabo me obrigou a fazer isso”, como se o pecado fosse algo para brincar. Mas foi o nosso pecado que Jesus suportou naquele dia. Foi o nosso pecado que fez com que o Pai se afastasse do Filho. Era o nosso pecado flutuando naquela fossa da iniqüidade. Ele se tornou uma maldição e nós éramos parte da razão. Nunca brinquemos com o pecado. Não é motivo de riso.

2. Nunca devemos minimizar o terrível custo da nossa salvação. É possível que alguns cristãos se cansem de ouvir sobre a cruz? É possível que prefiramos ouvir sobre coisas felizes? Sem a terrível dor da cruz, não haveria coisas felizes para falar. Sem a cruz não haveria perdão. Sem a cruz não haveria salvação. Sem a cruz, estaríamos perdidos para sempre. Sem a cruz, nossos pecados ainda estariam sobre nós. Custou tudo a Cristo para nos redimir. Nunca vamos menosprezar o que lhe custou tanto.

“Onde Estava Deus Quando Meu Filho Morreu?”

Em algum lugar eu li a história de um pai cujo filho morreu em um trágico acidente. Com tristeza e enorme raiva, ele visitou seu pastor e derramou seu coração. Ele disse: “Onde estava Deus quando meu filho morreu?” O pastor parou por um momento e, com grande sabedoria, respondeu: “O mesmo lugar em que ele estava quando seu Filho morreu”.

Este grito da cruz é para todas as pessoas solitárias do mundo. É para a criança abandonada … a viúva … o divorciado lutando para sobreviver … a mãe de pé sobre a cama de sua filha sofredora … o pai desempregado … os pais deixados sozinhos … o prisioneiro em sua cela … os idosos que definham em casas de convalescença … esposas abandonadas por seus maridos … solteiros que comemoram

Esta é a palavra da cruz para você. Ninguém nunca esteve tão sozinho quanto Jesus. Você nunca será abandonado como ele foi. Nenhum grito da sua dor pode exceder o grito da dor dele quando Deus virou as costas e olhou para o outro lado.

Graças a Deus é verdade.

—Ele foi abandonado para que você nunca fosse abandonado.

—Ele foi abandonado para que você nunca fosse abandonado.

—Ele estava deserto para que você nunca estivesse deserto.

—Ele foi esquecido de que você nunca poderia ser esquecido.

Você não precisa ir para o inferno

E o mais importante…

—Ele foi para o inferno por você para que você não tivesse que ir.

Se você for para o inferno, será apesar do que Jesus fez por você. Ele já esteve lá. Ele levou o golpe. Ele sofreu a dor. Ele suportou o sofrimento. Ele levou o peso de todos os seus pecados. Então, se você for para o inferno, não culpe Jesus. Não é culpa dele. Ele foi para o inferno por você para que você não tivesse que ir.

Qual é a pior coisa sobre o inferno? Não é o fogo (embora o fogo seja real). Não é a memória do seu passado (embora a memória seja real). Não é a escuridão (embora a escuridão seja real). A pior coisa sobre o inferno é que ele é o único lugar no universo onde as pessoas são total e para sempre abandonadas por Deus. O inferno é realmente um lugar abandonado por Deus. Isso é o inferno. Estar em um lugar onde Deus te abandonou por toda a eternidade.

Essa é a má notícia. A boa notícia é esta. Você não precisa ir lá. Jesus já esteve lá por você. Ele foi para o inferno há 2.000 anos para que você não tivesse que ir. Ele morreu na morte de um pecador e recebeu a punição de um pecador para que pecadores culpados como você e eu pudessem ser eternamente perdoados.

Se depois de tudo o que eu disse, você ainda não entende essas palavras de Jesus, tenha bom ânimo. Ninguém na terra os entende completamente. Descanse nesta verdade simples: Ele foi abandonado para que você nunca fosse abandonado. Aqueles que confiam nele nunca ficarão desapontados, nesta vida ou na vida por vir. Amém.

BIBLIOGRAFIA:

João Ferreira de Almeida, trans., Nova Almeida Atualizada, Edição Revista e Atualizada®, 3a edição. (Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017), Mt 27.45–56.

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